
A newsletter da Pneumologia

Exclusiva para profissionais de saúde
Edição n.º9
A newsletter da Pneumologia

Começamos pelo Serviço que, dos três, se localiza mais a norte. É no Hospital Dr. José Maria Grande, em Portalegre, que encontramos o Dr. Pedro Costa, diretor e único elemento do Serviço de Pneumologia da ULS do Alto Alentejo.
A Pneumologia, tal como existe hoje neste hospital, surgiu em agosto de 1997, com a entrada da Dr.ª Isabel Pereira e à qual, quatro meses mais tarde, o Dr. Pedro Costa, vindo do Hospital Pulido Valente, se junta. “Viemos para um hospital que não estava dotado de Pneumologia, fomos muito bem acolhidos pela Medicina Interna e, nessa fase, foi possível começar, gradualmente, a desenvolver as várias vertentes da especialidade”, recorda o médico pneumologista. Deram de imediato início às consultas e depois, em 1998, iniciaram as fibroscopias, em 2002, as provas de função respiratória e, em 2007, os estudos do sono. “Foi um processo gradual, uma altura de crescimento”, revive o diretor do Serviço.
Durante este período, mais concretamente em 2002, a Dr.ª Isabel Pereira, que até então assumiu a função de diretora do Serviço, saiu, tendo o Dr. Pedro Costa assumido essa função. Em 2012 e 2017, a Dr.ª Susana Carreira e o Dr. Pedro Gonçalves, respetivamente, integraram a equipa durante um período de cerca de dois anos, mas excetuando estes momentos, o diretor destaca que “infelizmente, os períodos em que estou sozinho têm-se mantido durante grande parte da minha estadia neste hospital”, com isto a trazer implicações “nas conquistas que foram conseguidas numa fase inicial”.
O período da pandemia por COVID-19 não pode ser esquecido neste traçar da história do Serviço uma vez que “as unidades mais pequenas, e a Pneumologia em particular, sofreram muito. A partir daí tornou-se impossível assegurar algumas das conquistas que já tínhamos obtido – desde aí que não realizamos vídeobroncoscopia. Esta foi, na altura, uma conquista muito importante, mas agora sinto que não tenho condições de manter essa valência, nem em termos de recursos humanos, nem em termos técnicos”. Relativamente às restantes valências, o Dr. Pedro Costa salienta que “se têm mantido com algum esforço”. Desde 2022 que conta com o apoio de colegas em regime de prestação de serviços: “na altura da pandemia ficou seriamente comprometida a acessibilidade às consultas de Pneumologia. Havia um número brutal de consultas em atraso e daí a necessidade de recorrermos à prestação de serviços para suprir essa lacuna”. Esta não é, para o Dr. Pedro Costa, a situação ideal, “mas é a que temos – tarefeiros que asseguram grande parte das primeiras consultas externas e isso tem permitido que o Serviço não entre em colapso”. Estes prestadores de serviços (Dr.ª Joana Martins, Dr. Alexandre Almendra e Dr. Bruno Gil Gonçalves) dão apoio entre uma a três vezes por mês.
A parte funcional respiratória é, para o diretor do Serviço, “a vertente das nossas atividades que está mais de acordo com aquilo que se deve esperar de um hospital com esta dimensão e caraterísticas”. Desde 2002 que são feitas provas de função respiratória, incluindo pletismografia, difusão de monóxido de carbono e outras técnicas relativamente diferenciadas, contando, para isto, com o apoio de dois técnicos de Cardiopneumologia - Cristina Banheiro e Paulo Cruz - a quem o Dr. Pedro Costa se refere como “o seu braço direito”. Neste setor das provas funcionais respiratórias, o diretor do Serviço refere que, num futuro breve, gostaria de retomar a realização de espirometrias nos três principais centros de saúde do distrito – Portalegre, Elvas e Ponte de Sor. Algo que já foi feito no passado e que “aliviava a sobrecarga de trabalho no Hospital e os próprios utentes não tinham de se deslocar até aqui”.
Igualmente do âmbito dos técnicos de Cardiopneumologia são os estudos do sono, mas também esta vertente foi afetada pela COVID-19: “chegámos a fazer, até 2019, estudos polissonográficos em meio hospitalar, de nível I, mas é outra coisa que ainda não retomámos”.
Começamos pelo Serviço que, dos três, se localiza mais a norte. É no Hospital Dr. José Maria Grande, em Portalegre, que encontramos o Dr. Pedro Costa, diretor e único elemento do Serviço de Pneumologia da ULS do Alto Alentejo.
A Pneumologia, tal como existe hoje neste hospital, surgiu em agosto de 1997, com a entrada da Dr.ª Isabel Pereira e à qual, quatro meses mais tarde, o Dr. Pedro Costa, vindo do Hospital Pulido Valente, se junta. “Viemos para um hospital que não estava dotado de Pneumologia, fomos muito bem acolhidos pela Medicina Interna e, nessa fase, foi possível começar, gradualmente, a desenvolver as várias vertentes da especialidade”, recorda o médico pneumologista. Deram de imediato início às consultas e depois, em 1998, iniciaram as fibroscopias, em 2002, as provas de função respiratória e, em 2007, os estudos do sono. “Foi um processo gradual, uma altura de crescimento”, revive o diretor do Serviço.
Durante este período, mais concretamente em 2002, a Dr.ª Isabel Pereira, que até então assumiu a função de diretora do Serviço, saiu, tendo o Dr. Pedro Costa assumido essa função. Em 2012 e 2017, a Dr.ª Susana Carreira e o Dr. Pedro Gonçalves, respetivamente, integraram a equipa durante um período de cerca de dois anos, mas excetuando estes momentos, o diretor destaca que “infelizmente, os períodos em que estou sozinho têm-se mantido durante grande parte da minha estadia neste hospital”, com isto a trazer implicações “nas conquistas que foram conseguidas numa fase inicial”.
O período da pandemia por COVID-19 não pode ser esquecido neste traçar da história do Serviço uma vez que “as unidades mais pequenas, e a Pneumologia em particular, sofreram muito. A partir daí tornou-se impossível assegurar algumas das conquistas que já tínhamos obtido – desde aí que não realizamos vídeobroncoscopia. Esta foi, na altura, uma conquista muito importante, mas agora sinto que não tenho condições de manter essa valência, nem em termos de recursos humanos, nem em termos técnicos”. Relativamente às restantes valências, o Dr. Pedro Costa salienta que “se têm mantido com algum esforço”. Desde 2022 que conta com o apoio de colegas em regime de prestação de serviços: “na altura da pandemia ficou seriamente comprometida a acessibilidade às consultas de Pneumologia. Havia um número brutal de consultas em atraso e daí a necessidade de recorrermos à prestação de serviços para suprir essa lacuna”. Esta não é, para o Dr. Pedro Costa, a situação ideal, “mas é a que temos – tarefeiros que asseguram grande parte das primeiras consultas externas e isso tem permitido que o Serviço não entre em colapso”. Estes prestadores de serviços (Dr.ª Joana Martins, Dr. Alexandre Almendra e Dr. Bruno Gil Gonçalves) dão apoio entre uma a três vezes por mês.
A parte funcional respiratória é, para o diretor do Serviço, “a vertente das nossas atividades que está mais de acordo com aquilo que se deve esperar de um hospital com esta dimensão e caraterísticas”. Desde 2002 que são feitas provas de função respiratória, incluindo pletismografia, difusão de monóxido de carbono e outras técnicas relativamente diferenciadas, contando, para isto, com o apoio de dois técnicos de Cardiopneumologia - Cristina Banheiro e Paulo Cruz - a quem o Dr. Pedro Costa se refere como “o seu braço direito”. Neste setor das provas funcionais respiratórias, o diretor do Serviço refere que, num futuro breve, gostaria de retomar a realização de espirometrias nos três principais centros de saúde do distrito – Portalegre, Elvas e Ponte de Sor. Algo que já foi feito no passado e que “aliviava a sobrecarga de trabalho no Hospital e os próprios utentes não tinham de se deslocar até aqui”.
Igualmente do âmbito dos técnicos de Cardiopneumologia são os estudos do sono, mas também esta vertente foi afetada pela COVID-19: “chegámos a fazer, até 2019, estudos polissonográficos em meio hospitalar, de nível I, mas é outra coisa que ainda não retomámos”.
Uma valência “que não podia largar, nem mesmo na altura da COVID-19, e que foi, talvez, a única em que conseguimos que tudo ficasse no mesmo patamar, foi a Pneumologia Oncoló-gica”. Esta foi uma área na qual, em 2000, uma fase em que havia mais recursos, o Dr. Pedro Costa sentiu, motivado pelo número de doentes que ia aparecendo, que poderia existir um maior investimento. Atualmente, o diretor de Serviço vê, na consulta de Pneumologia Oncológica, cerca de 10/12 doentes por semana, tendo um período (à segunda-feira de manhã) dedicado exclusivamente a isso.
As outras consultas são divididas em Pneumologia Geral, com perto de 60 doentes por semana e a consulta de Insuficiência Respiratória Crónica e Patologia Respiratória do Sono – “é um nome comprido, mas, no fundo, pretende congregar todos aqueles que utilizam dispositivos de ventilação ou CPAP para lidar com o seu estado de saúde”. Esta consulta tem dois períodos semanais, sendo realizadas à volta de 30 por semana.
O facto de ter trabalhado até há cerca de dois anos nos Cuidados Intensivos, permitiu que, também no início dos anos 2000, fosse implementada a ventilação não invasiva. “Esta é uma situação onde a Pneumologia teve um papel muito importante. Foi uma mais-valia a «banalização» da utilização da VNI até por parte dos colegas da Medicina Interna e esta é uma realidade que temos de assumir: não existindo pneumologistas, a nossa MI tem de estar capacitada para desempenhar um conjunto de atividades que em outros hospitais centrais não fariam”.
Regularmente, o Dr. Pedro Costa recebe no seu serviço internos de Medicina Geral e Familiar para a realização de estágios de caráter não obrigatório o que “torna ainda mais relevante o facto de quererem vir para cá aprender algo”. Até ao momento, foram já cerca de 30 internos que realizaram estágio naquele Serviço.
Quanto à referenciação pelos Cuidados de Saúde Primários à especialidade, o diretor recorda que “já foi tentado, há alguns anos, criar modelos que permitissem uma referenciação mais elaborada, mas esses modelos acabaram por não vingar”.
Para o especialista, o ideal, nesta matéria, “será criar modelos assumidos pela direção da ULS em que exista um requisito mínimo para a referenciação aos cuidados hospitalares. Aqui, o que se verificou, é que quando os colegas de prestação de serviços começaram a colaborar e melhoraram os tempos de espera, implicou um maior número de pedidos”.
Uma valência “que não podia largar, nem mesmo na altura da COVID-19, e que foi, talvez, a única em que conseguimos que tudo ficasse no mesmo patamar, foi a Pneumologia Oncoló-gica”. Esta foi uma área na qual, em 2000, uma fase em que havia mais recursos, o Dr. Pedro Costa sentiu, motivado pelo número de doentes que ia aparecendo, que poderia existir um maior investimento. Atualmente, o diretor de Serviço vê, na consulta de Pneumologia Oncológica, cerca de 10/12 doentes por semana, tendo um período (à segunda-feira de manhã) dedicado exclusivamente a isso.
As outras consultas são divididas em Pneumologia Geral, com perto de 60 doentes por semana e a consulta de Insuficiência Respiratória Crónica e Patologia Respiratória do Sono – “é um nome comprido, mas, no fundo, pretende congregar todos aqueles que utilizam dispositivos de ventilação ou CPAP para lidar com o seu estado de saúde”. Esta consulta tem dois períodos semanais, sendo realizadas à volta de 30 por semana.
O facto de ter trabalhado até há cerca de dois anos nos Cuidados Intensivos, permitiu que, também no início dos anos 2000, fosse implementada a ventilação não invasiva. “Esta é uma situação onde a Pneumologia teve um papel muito importante. Foi uma mais-valia a «banalização» da utilização da VNI até por parte dos colegas da Medicina Interna e esta é uma realidade que temos de assumir: não existindo pneumologistas, a nossa MI tem de estar capacitada para desempenhar um conjunto de atividades que em outros hospitais centrais não fariam”.
Regularmente, o Dr. Pedro Costa recebe no seu serviço internos de Medicina Geral e Familiar para a realização de estágios de caráter não obrigatório o que “torna ainda mais relevante o facto de quererem vir para cá aprender algo”. Até ao momento, foram já cerca de 30 internos que realizaram estágio naquele Serviço.
Quanto à referenciação pelos Cuidados de Saúde Primários à especialidade, o diretor recorda que “já foi tentado, há alguns anos, criar modelos que permitissem uma referenciação mais elaborada, mas esses modelos acabaram por não vingar”.
Para o especialista, o ideal, nesta matéria, “será criar modelos assumidos pela direção da ULS em que exista um requisito mínimo para a referenciação aos cuidados hospitalares. Aqui, o que se verificou, é que quando os colegas de prestação de serviços começaram a colaborar e melhoraram os tempos de espera, implicou um maior número de pedidos”.
O facto de existir uma maior proximidade, “com um acesso mais fácil pelos doentes, comparativamente aos grandes centros” é uma vantagem de um serviço desta dimensão, refere o Dr. Pedro Costa. “Acho que aqui tenho uma maior probabilidade de não perder o seguimento de patologias graves, até porque o número não tem a dimensão de outros hospitais”. Aqui os canais de comunicação informais são fundamentais: “quando a situação fica mais difícil temos de arranjar forma, através dos contactos com os colegas, encontrando novos formatos de colaborar e de trabalhar”.
Questionado sobre o porquê da dificuldade de fixar pessoas naquela zona do país responde com algum humor “é uma pergunta interessante, mas não sei a resposta”. O Dr. Pedro Costa lembra que “quando vim de Lisboa não havia nada aqui e, na altura, eu e a Dr.ª Isabel Pereira encarámos isso como um estímulo para criar algo. Agora as pessoas não vêm para o interior e admito que se torna cada vez menos atrativo viver numa cidade cujo núcleo urbano tem 15 mil habitantes, com poucas atividades de lazer e comerciais, por exemplo. Há coisas que faltam aqui e que também contribuem para isto. Não consigo perceber como é que num país tão pequeno – por exemplo, a distância entre Lisboa e Portalegre são pouco mais de 200 quilómetros – consegue haver uma assimetria tão grande como o que já verificaram ao longo das vossas reportagens nos outros serviços”. Quando o Dr. Pedro Costa foi para Portalegre o distrito contava com 124 mil habitantes, atualmente, são 104 mil, sendo esta a área de abrangência do hospital.
No entanto, o facto de o Serviço estar centralizado na sua pessoa é algo que o preocupa, “vai haver um dia em que não vou estar cá e o que vai acontecer a seguir?” questiona. Mas o futuro do Serviço, na sua perspetiva, terá sempre de passar por “uma revisão com a administração da ULS para definir o que pretende com uma estrutura hospitalar, não só da Pneumologia, mas também das outras áreas da Medicina que funcionam em moldes muito semelhantes, com um ou dois colegas, ou em exclusivo com prestação de serviços. Na Pneumologia não vivemos isolados, precisamos de outras especialidades que estão também muito carenciadas”.
O facto de existir uma maior proximidade, “com um acesso mais fácil pelos doentes, comparativamente aos grandes centros” é uma vantagem de um serviço desta dimensão, refere o Dr. Pedro Costa. “Acho que aqui tenho uma maior probabilidade de não perder o seguimento de patologias graves, até porque o número não tem a dimensão de outros hospitais”. Aqui os canais de comunicação informais são fundamentais: “quando a situação fica mais difícil temos de arranjar forma, através dos contactos com os colegas, encontrando novos formatos de colaborar e de trabalhar”.
Questionado sobre o porquê da dificuldade de fixar pessoas naquela zona do país responde com algum humor “é uma pergunta interessante, mas não sei a resposta”. O Dr. Pedro Costa lembra que “quando vim de Lisboa não havia nada aqui e, na altura, eu e a Dr.ª Isabel Pereira encarámos isso como um estímulo para criar algo. Agora as pessoas não vêm para o interior e admito que se torna cada vez menos atrativo viver numa cidade cujo núcleo urbano tem 15 mil habitantes, com poucas atividades de lazer e comerciais, por exemplo. Há coisas que faltam aqui e que também contribuem para isto. Não consigo perceber como é que num país tão pequeno – por exemplo, a distância entre Lisboa e Portalegre são pouco mais de 200 quilómetros – consegue haver uma assimetria tão grande como o que já verificaram ao longo das vossas reportagens nos outros serviços”. Quando o Dr. Pedro Costa foi para Portalegre o distrito contava com 124 mil habitantes, atualmente, são 104 mil, sendo esta a área de abrangência do hospital.
No entanto, o facto de o Serviço estar centralizado na sua pessoa é algo que o preocupa, “vai haver um dia em que não vou estar cá e o que vai acontecer a seguir?” questiona. Mas o futuro do Serviço, na sua perspetiva, terá sempre de passar por “uma revisão com a administração da ULS para definir o que pretende com uma estrutura hospitalar, não só da Pneumologia, mas também das outras áreas da Medicina que funcionam em moldes muito semelhantes, com um ou dois colegas, ou em exclusivo com prestação de serviços. Na Pneumologia não vivemos isolados, precisamos de outras especialidades que estão também muito carenciadas”.
Continuando para sul nesta viagem pelo Alentejo, chegamos ao Hospital do Espírito Santo, em Évora, onde somos recebidos pela Dr.ª Teresa Cardoso, diretora do Serviço de Pneumo-logia que, neste caso, conta com mais dois elementos.
Foi em 1992 que surgiu a especialidade de Pneumologia neste hospital, relembra a Dr.ª Teresa Cardoso, que integra o Serviço desde 1993. Na altura da sua entrada, a especialista recorda que “não havia nada na área, raramente as pessoas sabiam o que fazia a Pneumologia, era um desconhecimento total”.
Um dos primeiros projetos no Serviço foi, em 1995, a criação do Laboratório de Função Respiratória. Na altura, além da aquisição do pletismógrafo, foi formada uma equipa para estas funções, “começou por ser uma técnica, depois fomos ampliando e, atualmente, temos três técnicas na função respiratória. E já temos outros aparelhos mais recentes, claro”, refere a Dr.ª Teresa Cardoso.
Neste percurso já com mais de 30 anos, a criação de um Laboratório do Sono foi, também, “um passo importantíssimo. Esta é uma patologia muito prevalente aqui na região: 80% dos pedidos de consulta são patologia do sono. Por volta dos anos 2000, conseguimos as instalações - num hospital com carências de espaços físicos – e conseguimos o material e uma técnica diferenciada”, recorda a diretora. O serviço dispõe de um Laboratório do Sono no qual são feitas polissonografias de nível I, II e III e que funciona com duas técnicas com um horário completo. Sobre esta valência, a Dr.ª Susana Palma, no serviço desde 2011 e especializada na área da patologia respiratória do sono, refere que “a falta de recursos humanos não permite que consigamos dar a resposta que gostaríamos. Não conseguimos receber atempadamente todos os doentes que nos enviam dos Cuidados de Saúde Primários. Cada vez vou tentando ter mais períodos de consulta do sono, mas é muito difícil pois somos poucos”.
Continuando para sul nesta viagem pelo Alentejo, chegamos ao Hospital do Espírito Santo, em Évora, onde somos recebidos pela Dr.ª Teresa Cardoso, diretora do Serviço de Pneumo-logia que, neste caso, conta com mais dois elementos.
Foi em 1992 que surgiu a especialidade de Pneumologia neste hospital, relembra a Dr.ª Teresa Cardoso, que integra o Serviço desde 1993. Na altura da sua entrada, a especialista recorda que “não havia nada na área, raramente as pessoas sabiam o que fazia a Pneumologia, era um desconhecimento total”.
Um dos primeiros projetos no Serviço foi, em 1995, a criação do Laboratório de Função Respiratória. Na altura, além da aquisição do pletismógrafo, foi formada uma equipa para estas funções, “começou por ser uma técnica, depois fomos ampliando e, atualmente, temos três técnicas na função respiratória. E já temos outros aparelhos mais recentes, claro”, refere a Dr.ª Teresa Cardoso.
Neste percurso já com mais de 30 anos, a criação de um Laboratório do Sono foi, também, “um passo importantíssimo. Esta é uma patologia muito prevalente aqui na região: 80% dos pedidos de consulta são patologia do sono. Por volta dos anos 2000, conseguimos as instalações - num hospital com carências de espaços físicos – e conseguimos o material e uma técnica diferenciada”, recorda a diretora. O serviço dispõe de um Laboratório do Sono no qual são feitas polissonografias de nível I, II e III e que funciona com duas técnicas com um horário completo. Sobre esta valência, a Dr.ª Susana Palma, no serviço desde 2011 e especializada na área da patologia respiratória do sono, refere que “a falta de recursos humanos não permite que consigamos dar a resposta que gostaríamos. Não conseguimos receber atempadamente todos os doentes que nos enviam dos Cuidados de Saúde Primários. Cada vez vou tentando ter mais períodos de consulta do sono, mas é muito difícil pois somos poucos”.
Em colaboração com o Serviço de Oncologia a Dr.ª Teresa Cardoso dedica também parte da sua atividade à Pneumologia Oncológica, outra das valências já existente no serviço há muito tempo. Há, no entanto, outras áreas que foram desenvolvidas, mas que com a saída dos elementos do serviço (oito, no total) não estão, atualmente, disponíveis: “foi muito bom quando os colegas cá estiveram, pois tinham vontade de construir coisas e pudemos fazer isso, nomeadamente nas áreas da ventilação não-invasiva e das doenças do interstício, que estamos a tentar recomeçar”, afirma a diretora do Serviço. A médica pneumologista acrescenta que “já temos uma equipa de enfermeiros para Pneumologia Geral com uma vertente de asma grave e estamos também a construir uma ligação com a Farmácia para existir uma consulta de farmácia ligada à asma grave”.
No caso do internamento, este é partilhado com a Nefrologia: “em média temos o máximo de quatro doentes internados e depois os restantes ficam nas Medicinas e nós damos o apoio que é necessário, ficando no nosso internamento aqueles que têm patologias mais diferenciadas”, explica a Dr.ª Teresa Cardoso.
Com uma área de abrangência de 155 mil habitantes diretos e “numa região que tem cerca de 480 mil habitantes, com os hospitais de Beja e Portalegre apenas com um médico” a diretora do Serviço não tem dúvidas de que o principal desafio na sua atividade “é o excesso de pedidos em relação à nossa capacidade de resposta. É como uma bola de neve que cresce todos os dias. O mais difícil é gerir isto, a gestão da equipa é muito fácil, está bem oleada, o problema é mesmo haver a sensação de que não conseguimos dar resposta aos pedidos”.
Em relação à equipa, é constituída por profissionais “super eficientes e conhecedores” sobre os quais a Dr.ª Teresa Cardoso afirma ter uma “confiança cega”. Para além da equipa médica, a especialista não deixa de referir os outros elementos: “as técnicas também são importantíssimas. Somos apenas três médicos, se não existir um núcleo forte na Cardiopneumologia tenho de estar sempre a controlar. Sabem avaliar os doentes, por exemplo nas provas funcionais, e sabem tomar decisões perante certas situações. No Labo-ratório do Sono são as duas técnicas com formação superior na área”. Também a Dr.ª Susana Palma, que considera o serviço “muito unido do ponto de vista humano”, destaca o trabalho das técnicas de Cardiopneumologia: “somos uma especialidade que tem muitos exames complementares de diagnóstico, assim o trabalho delas é muito importante, pois também nos ajuda a conseguir dar resposta aos pedidos de exame”.
A equipa de enfermagem é igualmente destacada pela diretora do Serviço: “conseguimos ter enfermeiros na consulta externa para nos acompanharem, para fazerem o ensino dos doentes, algo a que dou muito valor e que comecei logo desde o início a implementar. Como os enfermeiros dedicados à asma grave que são excelentes e os da enfermaria que são fundamentais e nos ajudam imenso”.
Em colaboração com o Serviço de Oncologia a Dr.ª Teresa Cardoso dedica também parte da sua atividade à Pneumologia Oncológica, outra das valências já existente no serviço há muito tempo. Há, no entanto, outras áreas que foram desenvolvidas, mas que com a saída dos elementos do serviço (oito, no total) não estão, atualmente, disponíveis: “foi muito bom quando os colegas cá estiveram, pois tinham vontade de construir coisas e pudemos fazer isso, nomeadamente nas áreas da ventilação não-invasiva e das doenças do interstício, que estamos a tentar recomeçar”, afirma a diretora do Serviço. A médica pneumologista acrescenta que “já temos uma equipa de enfermeiros para Pneumologia Geral com uma vertente de asma grave e estamos também a construir uma ligação com a Farmácia para existir uma consulta de farmácia ligada à asma grave”.
No caso do internamento, este é partilhado com a Nefrologia: “em média temos o máximo de quatro doentes internados e depois os restantes ficam nas Medicinas e nós damos o apoio que é necessário, ficando no nosso internamento aqueles que têm patologias mais diferenciadas”, explica a Dr.ª Teresa Cardoso.
Com uma área de abrangência de 155 mil habitantes diretos e “numa região que tem cerca de 480 mil habitantes, com os hospitais de Beja e Portalegre apenas com um médico” a diretora do Serviço não tem dúvidas de que o principal desafio na sua atividade “é o excesso de pedidos em relação à nossa capacidade de resposta. É como uma bola de neve que cresce todos os dias. O mais difícil é gerir isto, a gestão da equipa é muito fácil, está bem oleada, o problema é mesmo haver a sensação de que não conseguimos dar resposta aos pedidos”.
Em relação à equipa, é constituída por profissionais “super eficientes e conhecedores” sobre os quais a Dr.ª Teresa Cardoso afirma ter uma “confiança cega”. Para além da equipa médica, a especialista não deixa de referir os outros elementos: “as técnicas também são importantíssimas. Somos apenas três médicos, se não existir um núcleo forte na Cardiopneumologia tenho de estar sempre a controlar. Sabem avaliar os doentes, por exemplo nas provas funcionais, e sabem tomar decisões perante certas situações. No Labo-ratório do Sono são as duas técnicas com formação superior na área”. Também a Dr.ª Susana Palma, que considera o serviço “muito unido do ponto de vista humano”, destaca o trabalho das técnicas de Cardiopneumologia: “somos uma especialidade que tem muitos exames complementares de diagnóstico, assim o trabalho delas é muito importante, pois também nos ajuda a conseguir dar resposta aos pedidos de exame”.
A equipa de enfermagem é igualmente destacada pela diretora do Serviço: “conseguimos ter enfermeiros na consulta externa para nos acompanharem, para fazerem o ensino dos doentes, algo a que dou muito valor e que comecei logo desde o início a implementar. Como os enfermeiros dedicados à asma grave que são excelentes e os da enfermaria que são fundamentais e nos ajudam imenso”.
Quanto à referenciação pelos CSP para a especialidade, é algo que a diretora do serviço gostava de melhorar: “é muito baseada no sistema de referenciação por computador, embora eu estimule os colegas a contactarem-nos diretamente nos casos mais complicados. Mas, também aqui, o tempo disponível é um problema”.
Tal como em Portalegre, é igualmente destacada a importância dos estágios realizados pelos internos de MGF no Serviço de Pneumologia: “temos sempre vários internos de MGF que, todos os anos, vêm fazer aqui um mês e fico muito feliz com isso pois tenho notado uma grande diferença. Estou cá há 30 anos e nota-se agora um maior conhecimento na área respiratória, algo que para nós é uma ajuda, sendo fundamental investir nessa área”.
No que diz respeito ao internato médico na área da Pneumologia, a Dr.ª Teresa Cardoso é perentória ao afirmar que “um serviço que não tem internos acaba por morrer, sobretudo um serviço do interior, que é diferente de um do litoral. Agora somos três médicos pelo que seria difícil termos internos, mas já fomos mais e tenho pena que a forma de avaliar os serviços seja à luz de hospitais maiores e não de hospitais como o nosso. Aqui também se pode aprender muito. Não quero com isto dizer que concordo ou deixo de concordar com as decisões tomadas, mas se não permitem internos num hospital como o nosso a Pneumologia vai acabar”.
Quanto à referenciação pelos CSP para a especialidade, é algo que a diretora do serviço gostava de melhorar: “é muito baseada no sistema de referenciação por computador, embora eu estimule os colegas a contactarem-nos diretamente nos casos mais complicados. Mas, também aqui, o tempo disponível é um problema”.
Tal como em Portalegre, é igualmente destacada a importância dos estágios realizados pelos internos de MGF no Serviço de Pneumologia: “temos sempre vários internos de MGF que, todos os anos, vêm fazer aqui um mês e fico muito feliz com isso pois tenho notado uma grande diferença. Estou cá há 30 anos e nota-se agora um maior conhecimento na área respiratória, algo que para nós é uma ajuda, sendo fundamental investir nessa área”.
No que diz respeito ao internato médico na área da Pneumologia, a Dr.ª Teresa Cardoso é perentória ao afirmar que “um serviço que não tem internos acaba por morrer, sobretudo um serviço do interior, que é diferente de um do litoral. Agora somos três médicos pelo que seria difícil termos internos, mas já fomos mais e tenho pena que a forma de avaliar os serviços seja à luz de hospitais maiores e não de hospitais como o nosso. Aqui também se pode aprender muito. Não quero com isto dizer que concordo ou deixo de concordar com as decisões tomadas, mas se não permitem internos num hospital como o nosso a Pneumologia vai acabar”.
Para a Dr.ª Teresa Cardoso uma das vantagens de trabalhar neste hospital é a “oportunidade de desenvolver aquilo que mais se gosta de fazer”. Também o Dr. Manuel Torres, que desde 1995 exerce no Hospital do Espírito Santo, avalia a sua estadia de quase 30 anos no Serviço com “altos e baixos, mas é uma forma de exercer a minha especialidade de uma forma diversificada, o que é um desafio. Não temos capacidade para nos dedicarmos exclusivamente a uma patologia, temos de nos dedicar a todas as patologias respiratórias o que é um desafio e bastante trabalhoso, mas também agradável. Não é um trabalho monótono, de maneira nenhuma”.
Em forma de apelo, a diretora do Serviço, reforça que “queremos deixar algum do nosso conhecimento a pessoas novas e queremos também que elas nos ensinem a nós. Quando vem uma pessoa nova ensina-nos sempre, muda imensas coisas, vem com uma visão diferente”. O novo hospital de Évora – já em construção e com abertura prevista para 2026 – é um projeto que a atual diretora espera que possa atrair pessoas. “Temos imensa vontade de ensinar, temos imensa patologia, se as pessoas quiserem trabalhar cá podem aprender. Temos conhecimentos que podemos transmitir, temos muitas coisas instaladas, como a broncologia, broncoscopia rígida, toracoscopia, broncofibroscopia. Queremos desenvolver a área das técnicas, mas, para isso, além do material, precisamos de pessoas pois é impensável implementar uma técnica altamente diferenciada sem termos material humano”.
Além do objetivo de “fazer o hospital de Évora referência na parte das técnicas pneumológicas”, a Dr.ª Teresa Cardoso reforça que, no futuro, gostaria de valorizar o Laboratório do Sono, valência que está subaproveitada “uma vez que só temos uma médica diferenciada em sono, precisávamos de ter mais, pois temos um laboratório muito bom, que dá uma boa resposta”. A asma grave e as doenças do interstício são também duas áreas fundamentais e que a diretora gostava de desenvolver no seu serviço, mas que “também precisam de recursos humanos”.
Para a Dr.ª Teresa Cardoso uma das vantagens de trabalhar neste hospital é a “oportunidade de desenvolver aquilo que mais se gosta de fazer”. Também o Dr. Manuel Torres, que desde 1995 exerce no Hospital do Espírito Santo, avalia a sua estadia de quase 30 anos no Serviço com “altos e baixos, mas é uma forma de exercer a minha especialidade de uma forma diversificada, o que é um desafio. Não temos capacidade para nos dedicarmos exclusivamente a uma patologia, temos de nos dedicar a todas as patologias respiratórias o que é um desafio e bastante trabalhoso, mas também agradável. Não é um trabalho monótono, de maneira nenhuma”.
Em forma de apelo, a diretora do Serviço, reforça que “queremos deixar algum do nosso conhecimento a pessoas novas e queremos também que elas nos ensinem a nós. Quando vem uma pessoa nova ensina-nos sempre, muda imensas coisas, vem com uma visão diferente”. O novo hospital de Évora – já em construção e com abertura prevista para 2026 – é um projeto que a atual diretora espera que possa atrair pessoas. “Temos imensa vontade de ensinar, temos imensa patologia, se as pessoas quiserem trabalhar cá podem aprender. Temos conhecimentos que podemos transmitir, temos muitas coisas instaladas, como a broncologia, broncoscopia rígida, toracoscopia, broncofibroscopia. Queremos desenvolver a área das técnicas, mas, para isso, além do material, precisamos de pessoas pois é impensável implementar uma técnica altamente diferenciada sem termos material humano”.
Além do objetivo de “fazer o hospital de Évora referência na parte das técnicas pneumológicas”, a Dr.ª Teresa Cardoso reforça que, no futuro, gostaria de valorizar o Laboratório do Sono, valência que está subaproveitada “uma vez que só temos uma médica diferenciada em sono, precisávamos de ter mais, pois temos um laboratório muito bom, que dá uma boa resposta”. A asma grave e as doenças do interstício são também duas áreas fundamentais e que a diretora gostava de desenvolver no seu serviço, mas que “também precisam de recursos humanos”.
No Hospital José Joaquim Fernandes, em Beja, a Dr.ª Ana Cristina Duarte é a diretora do Serviço de Pneumologia que funciona, tal como o de Portalegre, apenas com um elemento.
“A história deste Serviço começa um pouco antes da minha vinda. Em 1997 vinha uma colega do Hospital Pulido Valente, a Dr.ª Paula Pamplona, fazer atividade assistencial para os cuidados primários no Centro de Diagnóstico Pneumológico (CDP) e a Dr.ª Eulália Semedo que dava consultas”, começa por recordar a especialista. Em 1998, já assistente hospitalar, por falta de lugar no Hospital de Santa Marta, a Dr.ª Ana Cristina Duarte concorre a uma vaga para este hospital. A escolha foi motivada pelo facto de a família ser de Almodôvar, vila pertencente ao distrito de Beja, e, além disso, o Serviço “tinha uma coisa que me fascinou e que, na altura, em Santa Marta, não tínhamos: um aparelho de TAC. Era um exame complementar de diagnóstico de que gostava muito e que sabia interpretar bem. Depois gostei do serviço, gostei das pessoas, não conhecia ninguém, tinha ouvido falar de alguns especialistas que eram referências em algumas áreas”.
No Hospital José Joaquim Fernandes, em Beja, a Dr.ª Ana Cristina Duarte é a diretora do Serviço de Pneumologia que funciona, tal como o de Portalegre, apenas com um elemento.
“A história deste Serviço começa um pouco antes da minha vinda. Em 1997 vinha uma colega do Hospital Pulido Valente, a Dr.ª Paula Pamplona, fazer atividade assistencial para os cuidados primários no Centro de Diagnóstico Pneumológico (CDP) e a Dr.ª Eulália Semedo que dava consultas”, começa por recordar a especialista. Em 1998, já assistente hospitalar, por falta de lugar no Hospital de Santa Marta, a Dr.ª Ana Cristina Duarte concorre a uma vaga para este hospital. A escolha foi motivada pelo facto de a família ser de Almodôvar, vila pertencente ao distrito de Beja, e, além disso, o Serviço “tinha uma coisa que me fascinou e que, na altura, em Santa Marta, não tínhamos: um aparelho de TAC. Era um exame complementar de diagnóstico de que gostava muito e que sabia interpretar bem. Depois gostei do serviço, gostei das pessoas, não conhecia ninguém, tinha ouvido falar de alguns especialistas que eram referências em algumas áreas”.
Foi então que se começaram a criar as várias valências e consultas. “Tinha atividade de consultas, internamento, fazia serviço de urgência de Medicina Interna, Cuidados Intensivos, endoscopias, broncofibroscopias, punções aspirativas, colocação de drenos - a atividade toda que fazia em Santa Marta, mas sozinha. E foi assim que fui construindo o Serviço”, relembra a especialista. Chegou, inclusivamente, a ir a alguns centros de saúde do distrito (Castro Verde, Ferreira e Ourique) para dar consultas.
Atualmente, além da consulta de Pneumologia Geral, a Dr.ª Ana Cristina Duarte assume a consulta de tuberculose (rastreio e seguimento), de asma, de DPOC e de patologia do sono. A consulta de Pneumologia Oncológica “está a ser descontinuada, pois percebi que nos absorve do ponto de vista do trabalho e também emocional e como temos uma colega de Oncologia, vejo os doentes, faço os exames e oriento para essa colega”.
Em 2023 foram realizadas no serviço quase três mil consultas, com um total de 1500 primeiras consultas. Até junho de 2024, 1500 consultas, 496 de primeira vez. “As consultas que fazemos mais são de Pneumologia Geral e depois DPOC, a patologia mais frequente. Depois Pneumologia Oncológica, patologia do sono - com muitas em seguimento – e também o seguimento da ventilação não invasiva”. A tuberculose é também uma patologia em crescimento na região, este ano foram já realizadas, até junho, 355 consultas de rastreio. Esta valência funciona em grande articulação com os CSP.
Foi então que se começaram a criar as várias valências e consultas. “Tinha atividade de consultas, internamento, fazia serviço de urgência de Medicina Interna, Cuidados Intensivos, endoscopias, broncofibroscopias, punções aspirativas, colocação de drenos - a atividade toda que fazia em Santa Marta, mas sozinha. E foi assim que fui construindo o Serviço”, relembra a especialista. Chegou, inclusivamente, a ir a alguns centros de saúde do distrito (Castro Verde, Ferreira e Ourique) para dar consultas.
Atualmente, além da consulta de Pneumologia Geral, a Dr.ª Ana Cristina Duarte assume a consulta de tuberculose (rastreio e seguimento), de asma, de DPOC e de patologia do sono. A consulta de Pneumologia Oncológica “está a ser descontinuada, pois percebi que nos absorve do ponto de vista do trabalho e também emocional e como temos uma colega de Oncologia, vejo os doentes, faço os exames e oriento para essa colega”.
Em 2023 foram realizadas no serviço quase três mil consultas, com um total de 1500 primeiras consultas. Até junho de 2024, 1500 consultas, 496 de primeira vez. “As consultas que fazemos mais são de Pneumologia Geral e depois DPOC, a patologia mais frequente. Depois Pneumologia Oncológica, patologia do sono - com muitas em seguimento – e também o seguimento da ventilação não invasiva”. A tuberculose é também uma patologia em crescimento na região, este ano foram já realizadas, até junho, 355 consultas de rastreio. Esta valência funciona em grande articulação com os CSP.
Num serviço desta dimensão a articulação com outros serviços e com os outros profissionais é fundamental. “A articulação varia de setor para setor. No caso do Centro de Diagnóstico Pneumológico, temos enfermeiras, assistentes técnicas, técnicas de espirometria (não temos recursos humanos para termos pletismografia)”. A importância do trabalho de todos é destacada pela diretora do Serviço que refere também a ligação informal com os outros colegas, como a Dr.ª Teresa Cardoso ou o Dr. Pedro Costa, para o esclarecimento de eventuais dúvidas que vão surgindo.
No caso da articulação que é feita com os CSP, a médica pneumologista destaca “a excelente equipa de cuidados de saúde primários. Sabem o que o doente necessita para ser bem visto. Temos uma boa articulação. Tenho pena de não dar o feedback no tempo que gostaria, mas não consigo”.
Esta questão da falta de tempo é, a par da falta de pessoas, um dos principais desafios na gestão do Serviço, de acordo com a Dr.ª Ana Cristina Duarte. “Temos hardware, software, falta-nos o peopleware”, ironiza a pneumologista. “Não temos sequer tempo para ensinar colegas pois estamos a fazer outras coisas que também são fundamentais”.
Depois da pandemia por COVID-19, os tempos de espera têm sido “insuportáveis”, refere a médica pneumologista que relembra ainda que quando vai de férias “não há mais ninguém” para desempenhar as suas funções. No entanto, não se arrepende da opção que fez em mudar para Beja, mas reconhece que “teria um percurso diferente se tivesse ficado em Lisboa”. Ao longo do percurso teve alguns colegas a trabalhar consigo, mas que acabaram por sair do serviço. A falta de bons acessos, sem autoestrada, a ausência de atividades de lazer e até de um centro comercial são aspetos que na sua opinião afastam as pessoas de Beja.
Perante esta realidade, acredita que “o hospital de Beja vai ter muito pouco futuro. Tem uma série de profissionais empenhadíssimos, mas que cada vez vão sendo mais reduzidos. Não apenas na Pneumologia, mas também nas outras especialidades”.
Num serviço desta dimensão a articulação com outros serviços e com os outros profissionais é fundamental. “A articulação varia de setor para setor. No caso do Centro de Diagnóstico Pneumológico, temos enfermeiras, assistentes técnicas, técnicas de espirometria (não temos recursos humanos para termos pletismografia)”. A importância do trabalho de todos é destacada pela diretora do Serviço que refere também a ligação informal com os outros colegas, como a Dr.ª Teresa Cardoso ou o Dr. Pedro Costa, para o esclarecimento de eventuais dúvidas que vão surgindo.
No caso da articulação que é feita com os CSP, a médica pneumologista destaca “a excelente equipa de cuidados de saúde primários. Sabem o que o doente necessita para ser bem visto. Temos uma boa articulação. Tenho pena de não dar o feedback no tempo que gostaria, mas não consigo”.
Esta questão da falta de tempo é, a par da falta de pessoas, um dos principais desafios na gestão do Serviço, de acordo com a Dr.ª Ana Cristina Duarte. “Temos hardware, software, falta-nos o peopleware”, ironiza a pneumologista. “Não temos sequer tempo para ensinar colegas pois estamos a fazer outras coisas que também são fundamentais”.
Depois da pandemia por COVID-19, os tempos de espera têm sido “insuportáveis”, refere a médica pneumologista que relembra ainda que quando vai de férias “não há mais ninguém” para desempenhar as suas funções. No entanto, não se arrepende da opção que fez em mudar para Beja, mas reconhece que “teria um percurso diferente se tivesse ficado em Lisboa”. Ao longo do percurso teve alguns colegas a trabalhar consigo, mas que acabaram por sair do serviço. A falta de bons acessos, sem autoestrada, a ausência de atividades de lazer e até de um centro comercial são aspetos que na sua opinião afastam as pessoas de Beja.
Perante esta realidade, acredita que “o hospital de Beja vai ter muito pouco futuro. Tem uma série de profissionais empenhadíssimos, mas que cada vez vão sendo mais reduzidos. Não apenas na Pneumologia, mas também nas outras especialidades”.
ULS do Alto Alentejo
ULS do Alentejo Central
ULS do Baixo Alentejo
ULS do Alto Alentejo
ULS do Alentejo Central
ULS do Baixo Alentejo
Foi no Hospital do Espírito Santo, em Évora, que nos encontrámos com o Dr. Nuno Jacinto. O presidente da APMGF – Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar assumiu, no início de 2024, o cargo de Diretor Clínico da Área dos Cuidados de Saúde Primários (CSP) da ULS do Alentejo Central.
A articulação entre os CSP e a especialidade de Pneumologia e a importância destes profissionais na abordagem dos doentes respiratórios foram algumas das questões abordadas nesta conversa.
Como avalia a articulação que é feita entre os Cuidados de Saúde Primários e a especialidade de Pneumologia?
A questão da articulação entre níveis de cuidados é sempre uma preocupação nossa, sempre foi e continua a ser. Considero que é um processo em evolução: temos sempre coisas a melhorar. Este projeto das ULS tem também como objetivo melhorar esta articulação, integrando os cuidados, aproximando os colegas e, portanto, podemos dizer que ainda não estamos onde queremos, mas também já estivemos pior. É verdade que temos de trabalhar e de nos aproximar mais, de ter sistemas de informação que sejam mais adequados ao que é a nossa realidade, quer nos cuidados de saúde primários, quer a nível hospitalar e, por isso, ainda temos aqui muitos passos para dar. Mas o que é um facto é que, nos últimos anos, tem havido um caminho nesse sentido, temos desenvolvido alguns projetos em comum – claro que aqui no Alentejo Central não somos exceção. Muitas vezes a dificuldade tem mesmo a ver com a falta de tempo e de recursos humanos que acontece dos dois lados.
Qual é o papel que os especialistas em Medicina Geral e Familiar (MGF) assumem na abordagem e avaliação inicial dos doentes com patologia respiratória?
É um papel absolutamente central. Estes doentes estão connosco e numa apresentação inicial das doenças é ao médico de família que se vão dirigir, vai ser este o primeiro contacto de proximidade. E, por isso, num diagnóstico inicial, num olhar para um quadro clínico que, muitas vezes, é indefinido e perceber que pode ser uma determinada patologia respiratória que nos vai obrigar a ter mais atenção, obviamente que o papel do médico de família é central e crucial.
Para isso, é necessário que tenha as ferramentas para ter esse conhecimento, mas, sobretudo, para que possa fazer um diagnóstico precoce, com os exames complementares adequados e depois possa instituir as medidas terapêuticas que são necessárias – sendo que, muitas delas, vão ser mantidas nos CSP muito tempo. Depois, quando é preciso, devem então fazer a referenciação e a articulação com os colegas hospitalares, neste caso, com os colegas da Pneumologia.
Qual é a importância de algumas consultas especificas em Pneumologia pela MGF?
É importante. Não quer dizer que todas as USF tenham de ter uma consulta especifica de doença respiratória, mas pode acontecer que haja um colega ou um grupo de colegas que se dedique particularmente a esta área e, aí, pode fazer todo o sentido que haja uma con-sulta dedicada, tal como já temos consultas de dor, ou de doenças cerebrovasculares em unidades especificas. E depois também, dependendo do contexto, haver aquilo que nós chamamos a consultoria, a ida de colegas de Pneumologia às unidades com uma periodicidade a definir para ajudar os colegas dos CSP a esclarecer dúvidas, a discutir casos, a fazer uma melhor referenciação e também a perceber o que se passa com os doentes que já enviaram para o lado hospitalar. Mais uma vez, é uma questão de comunicação.
Até onde considera que os CSP podem e devem ir no diagnóstico e tratamento do doente com algumas das patologias respiratórias mais comuns?
Sou suspeito, mas vou dizer que o papel é enorme e pode ir muito longe. Aliás, muitos destes doentes podem ser acompanhados quase sempre nos CSP, desde que existam as ferramentas certas para o diagnóstico e depois possa haver este apoio pontual da Pneumologia. Por exemplo, no caso dos doentes com asma ou DPOC, não é necessário referenciar todos à Pneumologia. É preciso é que exista essa capacitação por parte dos CSP, quer dos médicos, quer dos enfermeiros, a nível de conhecimento, mas também de materiais e de arsenal terapêutico à disposição para que possam atuar. O acesso à informação existe, é uma área que tem sido muito trabalhada a nível da Medicina Geral e Familiar, com cada vez mais colegas com um interesse particular neste domínio. Por isso, em muitos casos, estes doentes vão estar sempre connosco e desde que estejam controlados, não tenham exacerbações, o acompanhamento pode perfeitamente ser feito pelo médico de família res-guardando os colegas da Pneumologia para situações mais graves, mais complicadas, ou para outras doenças.
Quais as vantagens que vê neste novo modelo de organização das ULS?
A vantagem é estarmos sob o mesmo chapéu e, portanto, termos a possibilidade de nos conhecermos melhor, trabalharmos em conjunto, desenvolvermos projetos comuns deixando de haver a ideia “do nós e do eles”. Passamos a ser todos a mesma instituição, mas, para isso, não chega mudar apenas o nome. Precisamos de trabalhar nesse sentido, precisamos de apostar nestas reuniões e colaborações mais frequentes, de ter sistemas de informação que, efetivamente, comuniquem e isso não depende só da própria ULS. Precisamos de ter uma verdadeira integração de cuidados o que obriga a mais trabalho, não dizemos que agora é uma ULS e tudo se resolve por magia.
A nível do Alentejo Central esse percurso está a ser feito, se calhar não tao rápido como nós desejaríamos. Mais uma vez pela falta de recursos que temos, o que torna difícil a todos os colegas e a todos os profissionais envolvidos dedicarem o tempo necessário para apro-fundarem estes projetos. Mas é uma aposta que existe. Nos CSP já existia uma aposta grande na realização de espirometrias a nível descentralizado e de todos os concelhos, a pandemia veio baralhar as coisas, mas é algo que está a ser retomado progressivamente. A nível hospitalar também há uma progressiva atenção aos doentes que vêm dos centros de saúde, a esta articulação e a reunirmos todos para que exista uma referenciação ainda melhor – e, muitos destes doentes, continuam nos CSP. Agora falta esta capacidade para nos sentarmos, pensarmos no futuro e implementarmos muitas destas ideias que já temos.
Além da carência de especialistas em Medicina Geral e Familiar, quais são os principais desafios que considera existirem nestas regiões do interior do país?
Para além da carência dos médicos de família, temos também carência dos outros profissionais que lidam com estes doentes na área respiratória como os enfermeiros e os técnicos de Cardiopneumologia, a par do acesso a outros meios complementares de diagnóstico.
Temos uma zona com uma densidade populacional baixa que obriga a muitas deslocações e isso complica a vida quer aos profissionais quer, sobretudo, aos utentes e é algo que também tem de ser trabalhado, até com os próprios municípios, por exemplo. A ULS tam-bém pode ter aqui um papel ao aproximar alguns dos meios complementares de diagnóstico das populações.
Depois a outra dificuldade está também no lado do hospital pois aquilo que acontece nos cuidados primários também acontece a nível hospitalar. Precisamos de mais pneumologistas, de mais pessoas no Serviço que possam dar esta resposta aos doentes que, efetivamente, cá chegam quando necessitam. Sabemos que tudo isto é difícil e que não é a nossa região a única que sofre deste problema, mas temos aqui algumas soluções que têm de ser pensadas a nível local – conseguirmos atrair profissionais para esta região e fixá-los será o mais importante.
Foi no Hospital do Espírito Santo, em Évora, que nos encontrámos com o Dr. Nuno Jacinto. O presidente da APMGF – Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar assumiu, no início de 2024, o cargo de Diretor Clínico da Área dos Cuidados de Saúde Primários (CSP) da ULS do Alentejo Central.
A articulação entre os CSP e a especialidade de Pneumologia e a importância destes profissionais na abordagem dos doentes respiratórios foram algumas das questões abordadas nesta conversa.
Como avalia a articulação que é feita entre os Cuidados de Saúde Primários e a especialidade de Pneumologia?
A questão da articulação entre níveis de cuidados é sempre uma preocupação nossa, sempre foi e continua a ser. Considero que é um processo em evolução: temos sempre coisas a melhorar. Este projeto das ULS tem também como objetivo melhorar esta articulação, integrando os cuidados, aproximando os colegas e, portanto, podemos dizer que ainda não estamos onde queremos, mas também já estivemos pior. É verdade que temos de trabalhar e de nos aproximar mais, de ter sistemas de informação que sejam mais adequados ao que é a nossa realidade, quer nos cuidados de saúde primários, quer a nível hospitalar e, por isso, ainda temos aqui muitos passos para dar. Mas o que é um facto é que, nos últimos anos, tem havido um caminho nesse sentido, temos desenvolvido alguns projetos em comum – claro que aqui no Alentejo Central não somos exceção. Muitas vezes a dificuldade tem mesmo a ver com a falta de tempo e de recursos humanos que acontece dos dois lados.
Qual é o papel que os especialistas em Medicina Geral e Familiar (MGF) assumem na abordagem e avaliação inicial dos doentes com patologia respiratória?
É um papel absolutamente central. Estes doentes estão connosco e numa apresentação inicial das doenças é ao médico de família que se vão dirigir, vai ser este o primeiro contacto de proximidade. E, por isso, num diagnóstico inicial, num olhar para um quadro clínico que, muitas vezes, é indefinido e perceber que pode ser uma determinada patologia respiratória que nos vai obrigar a ter mais atenção, obviamente que o papel do médico de família é central e crucial.
Para isso, é necessário que tenha as ferramentas para ter esse conhecimento, mas, sobretudo, para que possa fazer um diagnóstico precoce, com os exames complementares adequados e depois possa instituir as medidas terapêuticas que são necessárias – sendo que, muitas delas, vão ser mantidas nos CSP muito tempo. Depois, quando é preciso, devem então fazer a referenciação e a articulação com os colegas hospitalares, neste caso, com os colegas da Pneumologia.
Qual é a importância de algumas consultas especificas em Pneumologia pela MGF?
É importante. Não quer dizer que todas as USF tenham de ter uma consulta especifica de doença respiratória, mas pode acontecer que haja um colega ou um grupo de colegas que se dedique particularmente a esta área e, aí, pode fazer todo o sentido que haja uma con-sulta dedicada, tal como já temos consultas de dor, ou de doenças cerebrovasculares em unidades especificas. E depois também, dependendo do contexto, haver aquilo que nós chamamos a consultoria, a ida de colegas de Pneumologia às unidades com uma periodicidade a definir para ajudar os colegas dos CSP a esclarecer dúvidas, a discutir casos, a fazer uma melhor referenciação e também a perceber o que se passa com os doentes que já enviaram para o lado hospitalar. Mais uma vez, é uma questão de comunicação.
Até onde considera que os CSP podem e devem ir no diagnóstico e tratamento do doente com algumas das patologias respiratórias mais comuns?
Sou suspeito, mas vou dizer que o papel é enorme e pode ir muito longe. Aliás, muitos destes doentes podem ser acompanhados quase sempre nos CSP, desde que existam as ferramentas certas para o diagnóstico e depois possa haver este apoio pontual da Pneumologia. Por exemplo, no caso dos doentes com asma ou DPOC, não é necessário referenciar todos à Pneumologia. É preciso é que exista essa capacitação por parte dos CSP, quer dos médicos, quer dos enfermeiros, a nível de conhecimento, mas também de materiais e de arsenal terapêutico à disposição para que possam atuar. O acesso à informação existe, é uma área que tem sido muito trabalhada a nível da Medicina Geral e Familiar, com cada vez mais colegas com um interesse particular neste domínio. Por isso, em muitos casos, estes doentes vão estar sempre connosco e desde que estejam controlados, não tenham exacerbações, o acompanhamento pode perfeitamente ser feito pelo médico de família res-guardando os colegas da Pneumologia para situações mais graves, mais complicadas, ou para outras doenças.
Quais as vantagens que vê neste novo modelo de organização das ULS?
A vantagem é estarmos sob o mesmo chapéu e, portanto, termos a possibilidade de nos conhecermos melhor, trabalharmos em conjunto, desenvolvermos projetos comuns deixando de haver a ideia “do nós e do eles”. Passamos a ser todos a mesma instituição, mas, para isso, não chega mudar apenas o nome. Precisamos de trabalhar nesse sentido, precisamos de apostar nestas reuniões e colaborações mais frequentes, de ter sistemas de informação que, efetivamente, comuniquem e isso não depende só da própria ULS. Precisamos de ter uma verdadeira integração de cuidados o que obriga a mais trabalho, não dizemos que agora é uma ULS e tudo se resolve por magia.
A nível do Alentejo Central esse percurso está a ser feito, se calhar não tao rápido como nós desejaríamos. Mais uma vez pela falta de recursos que temos, o que torna difícil a todos os colegas e a todos os profissionais envolvidos dedicarem o tempo necessário para apro-fundarem estes projetos. Mas é uma aposta que existe. Nos CSP já existia uma aposta grande na realização de espirometrias a nível descentralizado e de todos os concelhos, a pandemia veio baralhar as coisas, mas é algo que está a ser retomado progressivamente. A nível hospitalar também há uma progressiva atenção aos doentes que vêm dos centros de saúde, a esta articulação e a reunirmos todos para que exista uma referenciação ainda melhor – e, muitos destes doentes, continuam nos CSP. Agora falta esta capacidade para nos sentarmos, pensarmos no futuro e implementarmos muitas destas ideias que já temos.
Além da carência de especialistas em Medicina Geral e Familiar, quais são os principais desafios que considera existirem nestas regiões do interior do país?
Para além da carência dos médicos de família, temos também carência dos outros profissionais que lidam com estes doentes na área respiratória como os enfermeiros e os técnicos de Cardiopneumologia, a par do acesso a outros meios complementares de diagnóstico.
Temos uma zona com uma densidade populacional baixa que obriga a muitas deslocações e isso complica a vida quer aos profissionais quer, sobretudo, aos utentes e é algo que também tem de ser trabalhado, até com os próprios municípios, por exemplo. A ULS tam-bém pode ter aqui um papel ao aproximar alguns dos meios complementares de diagnóstico das populações.
Depois a outra dificuldade está também no lado do hospital pois aquilo que acontece nos cuidados primários também acontece a nível hospitalar. Precisamos de mais pneumologistas, de mais pessoas no Serviço que possam dar esta resposta aos doentes que, efetivamente, cá chegam quando necessitam. Sabemos que tudo isto é difícil e que não é a nossa região a única que sofre deste problema, mas temos aqui algumas soluções que têm de ser pensadas a nível local – conseguirmos atrair profissionais para esta região e fixá-los será o mais importante.
Este ano, como parte das comemorações do seu 50.º aniversário, a Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP) decidiu homenagear o percurso da especialidade e o trabalho dos pneumologistas ao longo deste meio século, com o lançamento do livro Homenagem ao Pneumologista nos 50 Anos da SPP. Coordenada pela jornalista Cláudia Pinto e pelo presidente da SPP, Prof. Doutor António Morais, a obra, apoiada pela Menarini, foi apresentada durante o 40.º Congresso da SPP, que teve lugar no Centro Culturalde Belém, em Lisboa, entre os dias 14 e 16 de novembro. A cerimónia contou com a presença de várias personalidades, incluindo António Gandra d’Almeida, Diretor Executivo do SNS. Para além do apoio à publicação, a equipa da Menarini esteve presente durante todo o congresso, promovendo diversas iniciativas ao longo dos três dias do evento. Descarregue aqui a versão digital do livro.
Este ano, como parte das comemorações do seu 50.º aniversário, a Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP) decidiu homenagear o percurso da especialidade e o trabalho dos pneumologistas ao longo deste meio século, com o lançamento do livro Homenagem ao Pneumologista nos 50 Anos da SPP. Coordenada pela jornalista Cláudia Pinto e pelo presidente da SPP, Prof. Doutor António Morais, a obra, apoiada pela Menarini, foi apresentada durante o 40.º Congresso da SPP, que teve lugar no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, entre os dias 14 e 16 de novembro. A cerimónia contou com a presença de várias personalidades, incluindo António Gandra d’Almeida, Diretor Executivo do SNS. Para além do apoio à publicação, a equipa da Menarini esteve presente durante todo o congresso, promovendo diversas iniciativas ao longo dos três dias do evento. Descarregue aqui a versão digital do livro.
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REDAÇÃO:
Andreia Pinto
Cátia Jorge
Rita Rodrigues
FOTOGRAFIA E VIDEO:
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DESIGN:
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